Kitsch Lorraine
Os novos outdoors das campanhas publicitárias do Continente, têm tanto de fofo como de dramático. Por um lado, quem não se derrete ao ver aqueles meninos fofinhos (esqueçam, por breves momentos o episódio da Casa Pia), de dentes tão branquinhos que são felizes porque os pais lhes compram tudo no Continente? E a nova imagem é tão fofinha quanto eles, toda redonda; quase umas minhoquinhas que se juntaram para escrever a palavra Continente!! Oh!..... Por outro lado, é dramático ver que estas imagens do menino, da jovem mãe grávida de barriga também redondinha, dos papás tão felizes com o seu rebento tocam a todos nós (quase que parecia o slogan do ecoponto). Este é o princípio do kitsch! O kitsch não é aquela primeira lágrima que nos escorre do cantinho do olho, é aquela segunda lágrima de emoção ao sentirmos que nos emocionamos, precisamente, com tudo aquilo que emociona todos os outros. E quiçá o princípio do Fluffy Design!
Separados à nascença?
Quem não passou por baquela sensação de dejá vu quando se deparou pela primeira vez com a nova imagem da TMN? Aquele Têzinho parece o Gasparzinho saído de um daqueles tratamentos de peeling facial à la Lili Caneças, todo esticadinho... Sim, aquele T amiguinho que nos aparece de braços abertos para nos receber, cheio de alegria, saltitante, através daquele azul bébé celestial...
Por momentos, a olhar para aquele T tão amigo, tão fofinho, senti-me na tentação de mudar de operador. Para além disso, aquilo agora é uma rede porreira estilo ya-tá-se-bem-até-já-adoro-esse-teu-piercing-boneka-vai-uma- ?
Mas no fundo as coisas até nem mudaram tanto assim: os tarifários, as burocracias,e blá, blá, blá, (até já...) etc.
Afinal o que interessa é que ficou tudo muito mais fofinho! E a gente adora! Ou não...
Benvindos ao Fluffy!! Façam um sorriso sff....
Se para alguns leigos, design de comunicação pode significar compilar informação de modo a transmiti-la de um modo eloquente e bem pensado para que esta seja transmitida de forma inteligível, os verdadeiros designers, sabem que esses leigos estão bem enganados!
Eles sabem melhor do que ninguém que design, hoje, é um sorrisinho na cara, é um olharzinho bem disposto, é uma corzinha deliciosa.... (repare-se na profusão dos "inhos", tão design!)
Pois é, longe vão os tempos em que o design corporativo para grandes empresas passava pela demonstração de valores como a perenidade, a estabilidade ou segurança. Actualmente assistimos a uma invasão, mais ou menos marciana, daquilo a que se pode definir como Fluffy Design; ou em português corrente - Design Fofinho!